Traços de um Sentimento

Trazendo Vida a Sentimentos Confusos!

Cartas Para Deus

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CARTA DE NUMERO 469

São Paulo, 30 de Março de 2018.

Ao criador do mundo.

Caro Sr. Deus,

Venho por meio desta carta informal dizer-lhe o quão difícil estão as coisas para mim aqui em baixo. To passando por uma fase da minha vida em que tudo ta dando meio errado sabe, estamos praticamente no quarto mês do ano e eu me encontro perdida em meio a tanta tempestade.

Não sei muito bem por que tudo isso esta acontecendo, e nem qual é o proposito de todos esses problemas estarem ocorrendo comigo, e justo COMIGO.

Sei que cometo meus pecados e por isso mesmo nem tenho direito de reclamar, mas é que eu vejo pessoas que cometem trocentos pecados a mais que eu e tudo continua de boa para eles.

Com todo o respeito Deus, não quero questionar a ti e nem o que o Sr. faz, só queria mesmo uma resposta.

Sei que á alguns dias venho mandando varias cartas para ti e quase todas com o mesmo assunto e as mesmas perguntas, mas é que eu realmente preciso de uma resposta para saber qual atitude eu devo tomar.

Obrigado por sempre responder as minhas outras cartas, tenho guardado todas em uma caixinha de madeira que comprei a alguns meses, é até bonitinha.

Peço perdão pelo incomodo, e também pelos erros que cometo no dia-a-dia, o Senhor sabe que eu tenho me esforçado para fazer o certo. Desculpa também pelos dias em que eu não consigo escrever pra ti, a vida tem sido um tanto quanto corrida.

Aguardo ansiosamente por uma resposta, e o Senhor sabe que é sempre bem vindo aqui em casa, quando puder aparece aqui, minha mãe faz um bolo de limão que é de lamber os beiços.

 

Com amor, Ana.

 

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Em Meio ao Desespero

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Em meio ao desespero, um traço de fé.

Em apenas uma noite Jonas viu todos os seus planos sendo jogados no lixo. Pior do que acordar e não te ver ao meu lado, foi notar o bilhete que se encontrava no seu lado da cama. Aquilo doeu, gente, como doeu.

Na hora tudo pareceu uma brincadeira, um traço de ironia em meio ao desespero, um traço de negação em meio a decepção. Eu não estava preparado, mesmo que bem la no fundo eu sempre soubesse que isso poderia acontecer, eu não estava preparado.

Minha primeira reação foi te procurar, andar, pensar, novamente te procurar, e por fim para a cama voltar. Pensei, chorei, aos poucos fui retomando a lucidez.

E quando pensei que nada podia piorar, notei que meu celular não se encontrava conectado ao carregador, Maldita menina, não foi o suficiente levar o meu coração.

Chutando o Pau da Barraca

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Dois messes tinham se passado desde que Marcos havia escrito seu ultimo texto. Estava difícil encontrar tempo livre para desacorrentar sua mente da produtividade que o trabalho exigia, o hobby que virou trabalho voltou a ser hobby. A promoção na empresa lhe dera um salario maior, uma mesa maior, um escritório maior, e uma escravidão também muito maior.

Por fora o sorriso persistia, por dentro sua mente enlouquecia, clamando a Deus por um feriado, uma pausa, um respingo de liberdade para sonhar, para criar, para inventar uma historia e  viver a tal historia, afinal de contas, o maior prazer de quem escreve é conseguir se refugiar nas linhas de seu conto.

Lentamente a sexta-feira passava, la fora o dia estava perfeito, a chuva continuava a cair incessantemente desde as 9 da manhã, o ar condicionado que sempre permanecia ligado no 22 hoje recebia seu merecido descanso, as janelas que sempre permaneciam fechadas para o mundo, hoje estavam abertas, Marcos que sempre se encontrava sentado em frente ao computador com suas tabelas do Excel, hoje estava de pé, frente a frente com as tais janelas abertas. As tabelas do Excel estavam fechadas, em seu lugar estava rodando uma playlist do Falamansa, não coincidentemente a faixa da vez era “Oh Chuva”.

Nada mais foi necessário, a letra da simples canção foi o suficiente para proporcionar o tão desejado despertar da consciência na vida Marcos. O hobby que tinha virado trabalho e depois voltado a ser hobby novamente se tornaria sua unica fonte de renda, ja que provavelmente seu chefe não irá ver com bons olhos o dedo que Marcos esta prestes a lhe mostrar.

Mais do Mesmo

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“Posha Ju vamos la, vai ser legal!”

Ja era o terceiro convite que Juliana recusava para ir em um desses bloquinhos de carnaval típicos da época. Indo meio que na contra-mão de suas amigas, a jovem garota estudante de marketing não era muito fã da festa, também não era igual aquelas pessoas que ficam reclamando nas redes sociais com mil e um argumentos sobre o porque todos deveriam odiar o carnaval, Juliana simplesmente cagava.

“Ah Clara, tu sabe que eu não curto, pow!”

Os cabelos eram grandes, cheios, cachos de dar inveja até mesmo em  Tais Araujo. Os olhos castanhos não chamavam atenção pela cor, mas sim pela profundidade e facilidade com que as pessoas imergiam neles. A altura ? pouco mais de 1,60. entre um all-star e um salto alto o tênis clássico passava na frente .

“Caramba Ju, vai passar 4 dias trancada em casa ?”

A frustração da amiga não conseguiu mudar a opinião de Juliana, depois de mais 40  minutos de tentativas frustradas, Clara vai embora,  era sexta-feira, oito da noite, e ela ja estava mais do que atrasada para o role.

O silencio da saida da amiga dominou o apartamento de Ju, as duas moravam juntas há quase tres anos, ficar sozinha era raridade. A noite estava quente, Ju decidiu tomar um banho. Mesmo contra a vontade da colega de quarto Ju havia conseguido comprar uma banheira, e desde então essa era sempre a melhor parte do seu dia.

A playlist para o banho foi fácil de se escolher, Renato Russo e seus amigos ja estavam acostumados a cantar para a garota todas as noites. Totalmente largada em sua banheira, Juliana voava por sob seus pensamentos, não entendia como passar o dia de baixo do sol escaldante no meio de um mar de pessoas podia ser melhor do que isso. Melhor que uma banheira, melhor que um bom livro, melhor do que Renato Russo e seus amigos, melhor do que um bom vinho, melhor do que o prazer do silencio de um apartamento vazio, melhor que o prazer de se encontrar viva em seus pensamentos.

Vai ver ela não era tao diferente das outras pessoas, vai ver ela só buscava coisas diferentes mas com o mesmo propósito. Enquanto todos la foram buscavam satisfazer seus desejos carnais, la dentro, submersa em sua banheira e em seus pensamentos, Juliana buscava a satisfação de seus desejos mentais, a paz que seu interior tanto desejara.

50 Dias sem Ela!

kkkkkkkk

A ansiedade sempre foi um dos maiores inimigos de Marcelo, a vontade de fazer tudo em tão pouco tempo já estava levando sua mente a exaustão. Cansado fisicamente, mental, e emocionalmente, o Jovem auxiliar de produção audiovisual olhava concentrado e indignado para seu reflexo no espelho do banheiro.

O dia estava chuvoso, era uma manhã normal de terça-feira, e ele novamente tinha dado o gato no chefe com mais um atestado que seu amigo do pronto socorro lhe dera.

O cigarro caído no chão ainda queimava, seu dichavador e o restante da erva espalhados pela pequena mesa de centro na sala refletiam marcas do vicio adquirido na faculdade. Cada tragada era carregada de sentimentos e emoções de fracasso.

Ao fundo era possível se ouvir uma canção que dizia “Everything’s gonna be alright, no woman no cry.” Era Bob Marley quem cantava, dizendo que tudo ficaria bem, dizendo para alguma garota não mais chorar, pois tudo ficaria bem. Marcelo não sabia se a tal garota havia acreditado nessas palavras, não sabia se tudo havia ficado bem ou se ela sequer havia parado de chorar, tudo que ele sabia era que naquele momento em sua vida nada estava bem.

Em meio as palavras do cantor jamaicano seu mundo desmoronava, a ironia da letra da musica lhe dava raiva, a ironia de sentir raiva ao ouvir alguém que só cantava sobre o amor lhe dava ainda mais raiva, a ironia parecia reinar em sua vida.

Em meio as palavras do cantor jamaicano seus olhos tomavam um tom avermelhado, não por causa dos efeitos da tal erva, mas sim por causa das pequenas gotas de suor masculino rolando por seus olhos, chorar nunca foi uma opção em sua vida, mas hoje era praticamente impossível conter as dores que habitavam em sua alma. A ironia com certeza reinava em sua vida.

Adentrando a Realidade

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Fazia tanto tempo que os pés de Flavia não tocavam o mar que a principio a sensação fora ate mesmo desconfortável. A água estava mais do que gelada, já o sol por outro lado fazia jus ao seu apelido de “estrela de fogo.” Estava bem cedo, os turistas ainda dormiam, por isso a vista era plena, o sol surgindo por entre algumas ilhas ao longe trazia uma sensação de paz e serenidade.

Ao sentir esse combo de sentimentos e sensações Flavia se perguntava tortuosamente como fora capaz de passar tanto tempo longe do litoral. Foram exatos 5 anos para ser mais preciso. Desde que saiu de casa para estudar em SP a garota desdobrava-se para dar conta da facul durante o dia, e o trabalho como garçonete a noite para pagar suas despesas mensais.

Eram mais de 5 ônibus por dia, 6 livros por mês, dezenas de trabalhos escolares e pouquíssimas horas de descanso. Seu violão, amigo de todas as horas, ficava mais de canto do que em seus braços! As viagens e acampamentos que já eram de lei todos os anos tiveram que ser adiados ou cancelados. O namorado com quem tanto sonhava mas que nunca tivera parecia ficar cada vez mais longe, por conta da lista de prioridades existente em seu coração.

Foram Longos esses anos.

Mas os longos anos passaram, Flavia se formou, conseguiu um estagio em uma boa empresa, e hoje la estava ela, de volta de onde saiu, de volta de onde nunca deveria ter saído. A areia nos pés, os óculos escuros no rosto, ela sentada em sua esteira com o violão em seus braços, nada poderia superar isso, nada poderia ser melhor que isso.

Lentamente ela se levanta, com cuidado deixa seu amigo de todas as horas por cima de sua bolsa, caminha até o mar, e adentra-o, ignorando a temperatura da água, focada apenas em sentir a vida lhe recompensando por todos esses anos longe de seu habitat natural. nada poderia superar isso, nada poderia ser melhor que isso.

Nada poderia estragar isso ……

 

 

Exceto o despertador das 5:30, acordando-a de sua falsa realidade.

Os longos anos ainda persistiam.

Faltavam 2 para ser mais exato!

Conforto Capitalista

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O Shopping sempre lotava aos fins de semana, era impossível achar uma vaga no estacionamento, mais impossível ainda era conseguir comprar um ingresso no cinema sem ter que ficar mais de 35 minutos na fila, a livraria então, sem condições.

Mas bem no finzinho de um dos corredores ao lado de uma loja de croassã, havia uma cafeteria, uma bem conhecida cafeteria, geralmente ela também sempre estava bem cheia, cheia daqueles malditos adolescentes que nem sequer tomavam a bebida que compravam, só iam pra tirar fotos com a porcaria do copo. Julia estava passando em frente a ela, quando reparou que ela não estava como de costume, a cafeteria que emitia calma e paz continuava emitindo essas mesmas sensações, porem vazia.

Ao entrar ela deparou-se com apenas duas pessoas, uma sentada na banqueta com um copo de cappuccino totalmente concentrada em seu livro, e na outra ponta da cafeteria um cara com um notebook sentado no sofá. A musiquinha tipica tocando ao fundo e o sorriso costumeiro das atendentes a cativaram, levando-a a comprar um expresso tradicional. Enquanto pagava, a atendente comentou alguma coisa sobre um youtuber estar na livraria mais a frente, o que refletiu diretamente no pouco movimento da cafeteria.

La fora tudo estava um caos. Pessoas falando alto, filas imensas em todos os lugares, youtubers escrevendo livros e vendendo feito água, mas ali, ao som de um blues calmo e tradicional, em meio a luz baixa, tomando um expresso caro porem quase perfeito, ela se sentia ….. confortável, incomparavelmente confortável.

Pouco a pouco adolescentes adentravam ao estabelecimento, todos com os mesmos livros. A capa era bem chamativa, um cara com cabelo colorido, provavelmente escrevendo sobre sua longa vida e experiencias transformadoras de alguém que passa o dia em meio a redes sociais. Não foi o suficiente para tirar a sensação de conforto em que ela se encontrará, o café estava bom demais.

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