Traços de um Sentimento

Trazendo Vida a Sentimentos Confusos!

O Jovem Fotógrafo

 

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  O sol nasce, e com ele mais uma manhã quente de Julho se iniciava…

O inverno com cara de verão faz o jovem fotografo ter vontade de sair de casa para escrever com a luz. Para quem não é muito familiarizado, a palavra FOTOGRAFIA significa “Escrever com a Luz”. Foto=Luz e Grafia=Escrita, essa foi a primeira coisa que o jovem fotografo aprendeu, e com certeza sera a ultima que ele irá esquecer.

Sem saber direito o que sua alma almeja capturar ele sai pelas ruas de São Paulo registrando tudo que lhe parece interessante, desde uma lata transbordante de lixo, até uma família fazendo piquenique na Praça do Pôr do sol.

Com seus cabelos cacheados, barba estilo Homem Moderno, e seu tênis Vans um tanto quanto desgastado, o jovem fotografo avançava por entre a grande e famosa selva de pedra, buscando sempre o melhor angulo e o melhor olhar de cada ponto de sua cidade. O apartamento no qual fora criado não foi grande o suficiente para comportar a imensidão de sua mente criativa, a qual sempre ansiava pela imensidão de todo universo.

Desde cedo seus pais o influenciaram a ser de certa forma “comum”. Ter um nome comum, brinquedos comuns, buscar uma qualificação comum para ter um emprego comum. Mas a palavra comum, que de tanto se repetir acaba perdendo o seu sentido, deixou de ser significativamente suficiente para o jovem fotografo. Trabalhar em uma fabrica ou trancado dentro de um escritório não tinha la tanta beleza quanto ver o mundo por de trás de suas lentes.

Tal como os pássaros não foram feitos para viverem em gaiolas, e os leões muito menos para serem trancados em zoológicos, o jovem fotografo também não podia aceitar de braços cruzados que sua jornada neste mundo fosse trancafiada pela monotonia do dia-a-dia.

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SÓ PRA CONTRARIAR

FIRE

La estávamos nós novamente, em meio a neblina do frio de Julho. Richard, Ana e eu. Três otários formando um triangulo. Não um triangulo amoroso como você deve ter pensado, mas de fato um triangulo, um de frente pro outro, um olhando para o outro. Estava frio, estava escuro, e o cigarro permanecia acesso.

Sentados em volta de uma pequena fogueira que fizemos na praça la perto de casa eu contemplava. Contemplava o céu, estrelado como nunca. Contemplava a lua, fina, começando a nascer novamente. Contemplava aqueles dois, sentados em minha frente, os amigos que eu estava prestes a perder.

Acho que esqueci de me apresentar, né, pois bem, meu nome é Carla, tenho 22 anos, gosto de Rock nacional, não tenho um perfil no Tinder, e fui recém diagnosticada com um bendito câncer.

Provavelmente aquele seria o ultimo cigarro que fumaríamos juntos, e por mais irônico que possa parecer não foi a nicotina que me trouxe a morte.

Mas de fato não estou aqui para contar sobre o meu câncer, quem merece espaço nessas linhas são os outros dois.

Eu e Richard nos conhecemos desde sempre, nossas famílias sempre foram muito amigas. Aprendi a amar Richard como um irmão mais velho, entre nós nunca houve paixão, tanto da minha parte como por parte dele. Com 17 anos Richard conheceu Ana no acampamento da igreja, e contrariando o que normalmente acontece nesse tipo de situação Richard não me abandonou, e eu jamais senti uma ponta de ciumes da jovem Ana, pelo contrario, encontrei nela a irmã que jamais tive.

Desde então temos formado uma espécie de trio Harry Potter, onde eu obviamente era o Harry, só que infelizmente dessa vez não haveria uma “Pedra da Ressurreição” para me trazer de volta quando eu morresse.

Há mais ou menos 3 semanas eu contei aos meus anjos da guarda que em alguns meses eu não estaria mais compartilhando cigarros com eles, e contrariando a reação que eu esperava, eles simplesmente me abracaram. Não choraram, não se desesperaram, nem ao menos mudaram de expressão, houve simplesmente um longo e quente abraço.

Três meses se passaram e hoje me encontro aqui em meio a um funeral, queria tanto poder dizer que era o meu, mas de fato não era. Haviam dois caixões a minha frente, duas mortes em minha vida.

Como eu disse, não seria a nicotina que me traria a morte.

SILENCIO

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As vezes um silencio se faz necessário.

Debruçada por sobre a mesa la estava ela. Seu nome ? Maria Julia. Tinha mais ou menos 1,70 de altura. Olhos castanhos claros, que não eram muito chamativos, mas lhe davam a beleza necessária. Seus cabelos longos e loiros caiam suavemente por cima dos ombros. Descrições simples para uma mulher de personalidade forte.

Debruçada por sobre a mesa a mulher de personalidade forte desmoronava, como um prédio em chamas que vai se consumindo pelo fogo antes de desabar assim ela se encontrava. O fogo da traição a consumia, lentamente ia queimando cada comodo de seu coração, destruindo tudo que havia sido criado por falsas historias e expectativas.

Debruçada por sobre a mesa as lagrimas escorriam, descendo de seus olhos, caindo por sobre a mesa até chegar ao chão. Sozinha ela se encontrava, não haviam câmeras, nem multidões e nem mesmo repórteres para noticiar o desabamento daquele patrimônio histórico.

Debruçada por sobre a mesa um silencio se fez necessario.

A vontade de proferir todo o tipo de palavras para expressar a sua raiva foi grande, mas ela não o fez. Guardou para si mesma as palavras de um coração em prantos. Em meio a todo caos em que se encontrava, em meio ao medo de ser abandonada, em meio a angustia que sobre si pairava, um silencio se fez necessario.

Debruçada por sobre a mesa ela já não mais se encontrava, lentamente caminhou ate o banheiro e lavou os lindos e inchados olhos castanhos claros. Pouco a pouco a fumaça que havia subido pelo desabamento de seu interior ia se dissipando, pouco a pouco a mulher de personalidade forte ia se recompondo. A dor ainda estava presente dentro de si, mas as lagrimas já haviam parado de descer, era um enorme pecado deixar vermelho aqueles lindos olhos castanhos claros.

Cartas Para Deus

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CARTA DE NUMERO 469

São Paulo, 30 de Março de 2018.

Ao criador do mundo.

Caro Sr. Deus,

Venho por meio desta carta informal dizer-lhe o quão difícil estão as coisas para mim aqui em baixo. To passando por uma fase da minha vida em que tudo ta dando meio errado sabe, estamos praticamente no quarto mês do ano e eu me encontro perdida em meio a tanta tempestade.

Não sei muito bem por que tudo isso esta acontecendo, e nem qual é o proposito de todos esses problemas estarem ocorrendo comigo, e justo COMIGO.

Sei que cometo meus pecados e por isso mesmo nem tenho direito de reclamar, mas é que eu vejo pessoas que cometem trocentos pecados a mais que eu e tudo continua de boa para eles.

Com todo o respeito Deus, não quero questionar a ti e nem o que o Sr. faz, só queria mesmo uma resposta.

Sei que á alguns dias venho mandando varias cartas para ti e quase todas com o mesmo assunto e as mesmas perguntas, mas é que eu realmente preciso de uma resposta para saber qual atitude eu devo tomar.

Obrigado por sempre responder as minhas outras cartas, tenho guardado todas em uma caixinha de madeira que comprei a alguns meses, é até bonitinha.

Peço perdão pelo incomodo, e também pelos erros que cometo no dia-a-dia, o Senhor sabe que eu tenho me esforçado para fazer o certo. Desculpa também pelos dias em que eu não consigo escrever pra ti, a vida tem sido um tanto quanto corrida.

Aguardo ansiosamente por uma resposta, e o Senhor sabe que é sempre bem vindo aqui em casa, quando puder aparece aqui, minha mãe faz um bolo de limão que é de lamber os beiços.

 

Com amor, Ana.

 

Em Meio ao Desespero

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Em meio ao desespero, um traço de fé.

Em apenas uma noite Jonas viu todos os seus planos sendo jogados no lixo. Pior do que acordar e não te ver ao meu lado, foi notar o bilhete que se encontrava no seu lado da cama. Aquilo doeu, gente, como doeu.

Na hora tudo pareceu uma brincadeira, um traço de ironia em meio ao desespero, um traço de negação em meio a decepção. Eu não estava preparado, mesmo que bem la no fundo eu sempre soubesse que isso poderia acontecer, eu não estava preparado.

Minha primeira reação foi te procurar, andar, pensar, novamente te procurar, e por fim para a cama voltar. Pensei, chorei, aos poucos fui retomando a lucidez.

E quando pensei que nada podia piorar, notei que meu celular não se encontrava conectado ao carregador, Maldita menina, não foi o suficiente levar o meu coração.

Chutando o Pau da Barraca

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Dois messes tinham se passado desde que Marcos havia escrito seu ultimo texto. Estava difícil encontrar tempo livre para desacorrentar sua mente da produtividade que o trabalho exigia, o hobby que virou trabalho voltou a ser hobby. A promoção na empresa lhe dera um salario maior, uma mesa maior, um escritório maior, e uma escravidão também muito maior.

Por fora o sorriso persistia, por dentro sua mente enlouquecia, clamando a Deus por um feriado, uma pausa, um respingo de liberdade para sonhar, para criar, para inventar uma historia e  viver a tal historia, afinal de contas, o maior prazer de quem escreve é conseguir se refugiar nas linhas de seu conto.

Lentamente a sexta-feira passava, la fora o dia estava perfeito, a chuva continuava a cair incessantemente desde as 9 da manhã, o ar condicionado que sempre permanecia ligado no 22 hoje recebia seu merecido descanso, as janelas que sempre permaneciam fechadas para o mundo, hoje estavam abertas, Marcos que sempre se encontrava sentado em frente ao computador com suas tabelas do Excel, hoje estava de pé, frente a frente com as tais janelas abertas. As tabelas do Excel estavam fechadas, em seu lugar estava rodando uma playlist do Falamansa, não coincidentemente a faixa da vez era “Oh Chuva”.

Nada mais foi necessário, a letra da simples canção foi o suficiente para proporcionar o tão desejado despertar da consciência na vida Marcos. O hobby que tinha virado trabalho e depois voltado a ser hobby novamente se tornaria sua unica fonte de renda, ja que provavelmente seu chefe não irá ver com bons olhos o dedo que Marcos esta prestes a lhe mostrar.

Mais do Mesmo

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“Posha Ju vamos la, vai ser legal!”

Ja era o terceiro convite que Juliana recusava para ir em um desses bloquinhos de carnaval típicos da época. Indo meio que na contra-mão de suas amigas, a jovem garota estudante de marketing não era muito fã da festa, também não era igual aquelas pessoas que ficam reclamando nas redes sociais com mil e um argumentos sobre o porque todos deveriam odiar o carnaval, Juliana simplesmente cagava.

“Ah Clara, tu sabe que eu não curto, pow!”

Os cabelos eram grandes, cheios, cachos de dar inveja até mesmo em  Tais Araujo. Os olhos castanhos não chamavam atenção pela cor, mas sim pela profundidade e facilidade com que as pessoas imergiam neles. A altura ? pouco mais de 1,60. entre um all-star e um salto alto o tênis clássico passava na frente .

“Caramba Ju, vai passar 4 dias trancada em casa ?”

A frustração da amiga não conseguiu mudar a opinião de Juliana, depois de mais 40  minutos de tentativas frustradas, Clara vai embora,  era sexta-feira, oito da noite, e ela ja estava mais do que atrasada para o role.

O silencio da saida da amiga dominou o apartamento de Ju, as duas moravam juntas há quase tres anos, ficar sozinha era raridade. A noite estava quente, Ju decidiu tomar um banho. Mesmo contra a vontade da colega de quarto Ju havia conseguido comprar uma banheira, e desde então essa era sempre a melhor parte do seu dia.

A playlist para o banho foi fácil de se escolher, Renato Russo e seus amigos ja estavam acostumados a cantar para a garota todas as noites. Totalmente largada em sua banheira, Juliana voava por sob seus pensamentos, não entendia como passar o dia de baixo do sol escaldante no meio de um mar de pessoas podia ser melhor do que isso. Melhor que uma banheira, melhor que um bom livro, melhor do que Renato Russo e seus amigos, melhor do que um bom vinho, melhor do que o prazer do silencio de um apartamento vazio, melhor que o prazer de se encontrar viva em seus pensamentos.

Vai ver ela não era tao diferente das outras pessoas, vai ver ela só buscava coisas diferentes mas com o mesmo propósito. Enquanto todos la foram buscavam satisfazer seus desejos carnais, la dentro, submersa em sua banheira e em seus pensamentos, Juliana buscava a satisfação de seus desejos mentais, a paz que seu interior tanto desejara.

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