Traços de um Sentimento

Trazendo Vida a Sentimentos Confusos!

Mais do Mesmo

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“Posha Ju vamos la, vai ser legal!”

Ja era o terceiro convite que Juliana recusava para ir em um desses bloquinhos de carnaval típicos da época. Indo meio que na contra-mão de suas amigas, a jovem garota estudante de marketing não era muito fã da festa, também não era igual aquelas pessoas que ficam reclamando nas redes sociais com mil e um argumentos sobre o porque todos deveriam odiar o carnaval, Juliana simplesmente cagava.

“Ah Clara, tu sabe que eu não curto, pow!”

Os cabelos eram grandes, cheios, cachos de dar inveja até mesmo em  Tais Araujo. Os olhos castanhos não chamavam atenção pela cor, mas sim pela profundidade e facilidade com que as pessoas imergiam neles. A altura ? pouco mais de 1,60. entre um all-star e um salto alto o tênis clássico passava na frente .

“Caramba Ju, vai passar 4 dias trancada em casa ?”

A frustração da amiga não conseguiu mudar a opinião de Juliana, depois de mais 40  minutos de tentativas frustradas, Clara vai embora,  era sexta-feira, oito da noite, e ela ja estava mais do que atrasada para o role.

O silencio da saida da amiga dominou o apartamento de Ju, as duas moravam juntas há quase tres anos, ficar sozinha era raridade. A noite estava quente, Ju decidiu tomar um banho. Mesmo contra a vontade da colega de quarto Ju havia conseguido comprar uma banheira, e desde então essa era sempre a melhor parte do seu dia.

A playlist para o banho foi fácil de se escolher, Renato Russo e seus amigos ja estavam acostumados a cantar para a garota todas as noites. Totalmente largada em sua banheira, Juliana voava por sob seus pensamentos, não entendia como passar o dia de baixo do sol escaldante no meio de um mar de pessoas podia ser melhor do que isso. Melhor que uma banheira, melhor que um bom livro, melhor do que Renato Russo e seus amigos, melhor do que um bom vinho, melhor do que o prazer do silencio de um apartamento vazio, melhor que o prazer de se encontrar viva em seus pensamentos.

Vai ver ela não era tao diferente das outras pessoas, vai ver ela só buscava coisas diferentes mas com o mesmo propósito. Enquanto todos la foram buscavam satisfazer seus desejos carnais, la dentro, submersa em sua banheira e em seus pensamentos, Juliana buscava a satisfação de seus desejos mentais, a paz que seu interior tanto desejara.

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50 Dias sem Ela!

kkkkkkkk

A ansiedade sempre foi um dos maiores inimigos de Marcelo, a vontade de fazer tudo em tão pouco tempo já estava levando sua mente a exaustão. Cansado fisicamente, mental, e emocionalmente, o Jovem auxiliar de produção audiovisual olhava concentrado e indignado para seu reflexo no espelho do banheiro.

O dia estava chuvoso, era uma manhã normal de terça-feira, e ele novamente tinha dado o gato no chefe com mais um atestado que seu amigo do pronto socorro lhe dera.

O cigarro caído no chão ainda queimava, seu dichavador e o restante da erva espalhados pela pequena mesa de centro na sala refletiam marcas do vicio adquirido na faculdade. Cada tragada era carregada de sentimentos e emoções de fracasso.

Ao fundo era possível se ouvir uma canção que dizia “Everything’s gonna be alright, no woman no cry.” Era Bob Marley quem cantava, dizendo que tudo ficaria bem, dizendo para alguma garota não mais chorar, pois tudo ficaria bem. Marcelo não sabia se a tal garota havia acreditado nessas palavras, não sabia se tudo havia ficado bem ou se ela sequer havia parado de chorar, tudo que ele sabia era que naquele momento em sua vida nada estava bem.

Em meio as palavras do cantor jamaicano seu mundo desmoronava, a ironia da letra da musica lhe dava raiva, a ironia de sentir raiva ao ouvir alguém que só cantava sobre o amor lhe dava ainda mais raiva, a ironia parecia reinar em sua vida.

Em meio as palavras do cantor jamaicano seus olhos tomavam um tom avermelhado, não por causa dos efeitos da tal erva, mas sim por causa das pequenas gotas de suor masculino rolando por seus olhos, chorar nunca foi uma opção em sua vida, mas hoje era praticamente impossível conter as dores que habitavam em sua alma. A ironia com certeza reinava em sua vida.

Adentrando a Realidade

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Fazia tanto tempo que os pés de Flavia não tocavam o mar que a principio a sensação fora ate mesmo desconfortável. A água estava mais do que gelada, já o sol por outro lado fazia jus ao seu apelido de “estrela de fogo.” Estava bem cedo, os turistas ainda dormiam, por isso a vista era plena, o sol surgindo por entre algumas ilhas ao longe trazia uma sensação de paz e serenidade.

Ao sentir esse combo de sentimentos e sensações Flavia se perguntava tortuosamente como fora capaz de passar tanto tempo longe do litoral. Foram exatos 5 anos para ser mais preciso. Desde que saiu de casa para estudar em SP a garota desdobrava-se para dar conta da facul durante o dia, e o trabalho como garçonete a noite para pagar suas despesas mensais.

Eram mais de 5 ônibus por dia, 6 livros por mês, dezenas de trabalhos escolares e pouquíssimas horas de descanso. Seu violão, amigo de todas as horas, ficava mais de canto do que em seus braços! As viagens e acampamentos que já eram de lei todos os anos tiveram que ser adiados ou cancelados. O namorado com quem tanto sonhava mas que nunca tivera parecia ficar cada vez mais longe, por conta da lista de prioridades existente em seu coração.

Foram Longos esses anos.

Mas os longos anos passaram, Flavia se formou, conseguiu um estagio em uma boa empresa, e hoje la estava ela, de volta de onde saiu, de volta de onde nunca deveria ter saído. A areia nos pés, os óculos escuros no rosto, ela sentada em sua esteira com o violão em seus braços, nada poderia superar isso, nada poderia ser melhor que isso.

Lentamente ela se levanta, com cuidado deixa seu amigo de todas as horas por cima de sua bolsa, caminha até o mar, e adentra-o, ignorando a temperatura da água, focada apenas em sentir a vida lhe recompensando por todos esses anos longe de seu habitat natural. nada poderia superar isso, nada poderia ser melhor que isso.

Nada poderia estragar isso ……

 

 

Exceto o despertador das 5:30, acordando-a de sua falsa realidade.

Os longos anos ainda persistiam.

Faltavam 2 para ser mais exato!

Conforto Capitalista

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O Shopping sempre lotava aos fins de semana, era impossível achar uma vaga no estacionamento, mais impossível ainda era conseguir comprar um ingresso no cinema sem ter que ficar mais de 35 minutos na fila, a livraria então, sem condições.

Mas bem no finzinho de um dos corredores ao lado de uma loja de croassã, havia uma cafeteria, uma bem conhecida cafeteria, geralmente ela também sempre estava bem cheia, cheia daqueles malditos adolescentes que nem sequer tomavam a bebida que compravam, só iam pra tirar fotos com a porcaria do copo. Julia estava passando em frente a ela, quando reparou que ela não estava como de costume, a cafeteria que emitia calma e paz continuava emitindo essas mesmas sensações, porem vazia.

Ao entrar ela deparou-se com apenas duas pessoas, uma sentada na banqueta com um copo de cappuccino totalmente concentrada em seu livro, e na outra ponta da cafeteria um cara com um notebook sentado no sofá. A musiquinha tipica tocando ao fundo e o sorriso costumeiro das atendentes a cativaram, levando-a a comprar um expresso tradicional. Enquanto pagava, a atendente comentou alguma coisa sobre um youtuber estar na livraria mais a frente, o que refletiu diretamente no pouco movimento da cafeteria.

La fora tudo estava um caos. Pessoas falando alto, filas imensas em todos os lugares, youtubers escrevendo livros e vendendo feito água, mas ali, ao som de um blues calmo e tradicional, em meio a luz baixa, tomando um expresso caro porem quase perfeito, ela se sentia ….. confortável, incomparavelmente confortável.

Pouco a pouco adolescentes adentravam ao estabelecimento, todos com os mesmos livros. A capa era bem chamativa, um cara com cabelo colorido, provavelmente escrevendo sobre sua longa vida e experiencias transformadoras de alguém que passa o dia em meio a redes sociais. Não foi o suficiente para tirar a sensação de conforto em que ela se encontrará, o café estava bom demais.

A Frustração Nossa de Cada Dia

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Era uma eximia noite de Quinta-Feira, uma calma, monótona e quente noite de Quinta-Feira. Estava fazendo absurdos 32º as onze da noite. A chuva que durante o final da tarde tanto ameaçará nos abençoar, recuou.

Marcos permanecia estático, encarando a mais de meia hora seu pequeno caderno de anotações onde sua vida era descrita com palavras dramáticas. A vista de seu apartamento para a cidade sempre o ajudará a escrever, o café forte e muitas vezes açucarado sempre lhe traziam inspiração, mas hoje, hoje não.

Tudo estava monótono, monótono demais para se escrever até mesmo sobre a própria monotonia. A chuva caindo fria e lentamente e a rede pendurada na sacada de seu prédio eram sua esperança para o surgimento de um grãozinho de inspiração, mas hoje, hoje também não.

Um leve sentimento de frustração pairavam sob sua imaginação,  Sua mente que tantas vezes já o orgulha-rá não conseguia produzir uma porcaria de refrão. Mas hoje, hoje talvez não.

Talvez aquela calma, quente e monótona noite de verão não merecesse ser reproduzida pelo olhar de um não-tipico cidadão. Talvez, apenas talvez, a poesia deveria se calar, deixando que a frustração preenchesse os espaços vazios do seu pequeno e singelo caderno de anotação.

Tempestade de Psicologia

chuva

Sexta-Feira 4:00 da tarde, a chuva cai fria e lentamente do lado de fora da janela, enquanto do lado de dentro, calmo e sonolento, Pedro sentado em seu sofá, apreciava seu livro enquanto o café não ficava pronto.

Ele gostava desse clima, a chuva caindo, os pensamentos voando, a sensação de paz em não se ouvir nada alem das gotas batendo contra sua janela fazendo um coro de fundo para aquela historia intrigante em que ele se encontrará imerso durante mais de uma hora. La do alto do seu prédio a vista era plena, as luzes da cidade eram vivas, mas não havia nenhuma movimentação nas ruas, o silencio era contagiante.

Dentro das paginas de seu livro, uma garota fugia, de seu marido obcecado ela fugia, já estava cansada de apanhar! Em um ato ousado ela fugia, sem nenhum plano ou rumo ela fugia, fugia de onde sofria.

Fora das paginas de seu livro Pedro também fugia, de sua rotina cansativa ele fugia, já estava cansado de apanhar! Em um ato ousado ele fugia, entrava em seus pensamentos e ia, daquele mundo corrompido Pedro fugia, fugia de onde sofria.

“Bom dia, um Café Por favor!”

FATO INICIAL – Sempre odiei café! Seu gosto amargo, sua aparência feia de água suja, aquilo não descia nem ferrando.

coffe

Pô, ruinzão isso aqui ein.

Minha relação com o café sempre foi de desprezo gratuito, tipo aqueles gordinhos asmáticos de 11 anos que se apaixonam por uma menina loira de nariz empinado, então, o garoto gordinho era o café, e eu a menina loira de nariz empinado.

Mas como esse mundo tende a nos surpreende mais do que Game Of Thrones, o gordinho asmático de 11 anos cresceu, descobriu o fantástico mundo da Musculação, e começou a mudar o seu conceito com o publico feminino, tipo o Neville de Harry Potter .

neville

Que esta benção caia sobre nós, Amem!

Lembro como se fosse ontem, meu primeiro dia de estagio na empresa, tava um frio da desgraça, era dezembro, todo mundo tava de ferias em casa e eu la naquele lugar morrendo de sono as 7 das manha. Eu me levantei, fui em direção a garrafa de café, enchi o copinho de plastico de 200ml pela metade, coloquei 1KG de açúcar naquela bagaça, mexi e virei, como se fosse uma dose de vodca barata.

Não sei o que tinha naquele café, mas foi amor a primeira dose! Nunca gostei do café da minha casa, mas tudo mudou naquele dia, então eu cheguei a conclusão de que tudo depende de onde você esta e do momento que você esta vivendo, talvez se fosse dia 6 de Fevereiro com um calor de 45 infernos meu corpo não sentiria a mesma vontade que eu tive naquela manhã de tomar uma bebida quente e estimulante. E se a garota loira de nariz empinado tivesse conhecido o menino gordinho 7 anos depois, com certeza o desprezo gratuito não aconteceria.

Enfim, hoje eu já experimentei uma imensidão de tipos de cafés, café de vó, café pra diabético, o meu próprio café (que é uma bosta) cada um deles me trouxe uma sensação diferente, e é incrível como nós conseguimos saber mais sobre a personalidade de uma pessoa só pelo tipo de café que ela faz. Quem faz café forte, café fraco, café frio, sem açúcar, “Diga-me qual pó de café tu usas que eu lhe direi quem és.”

FATO FINAL –  Um velho sábio me disse uma vez “O ser Humano nasce bom, é a falta de café que o corrompe.”  Quem sou eu pra discordar, né.

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